Série de vídeos mostra mulheres lendo e atingindo clímax

Publicado originalmente no site Catraca Livre (catracalivre.com.br)

Projeto explora limites entre o sexo e a arte

O fotógrafo Clayton Cubitt resolveu explorar o dualismo entre o corpo e a mente na série de vídeos Hysterical Literature, que apresenta mulheres lendo textos eróticos e sendo estimuladas para o orgasmo com um dispositivo, aparentemente um vibrador.

Nessa sinestesia, mente, corpo e literatura alcançam um verdadeiro transe. As participantes do projeto revelaram sequer lembrar boa parte do que leram, tamanho poder da simbiose entre sexo e texto.

A série de vídeos também questiona o contraste entre cultura e sexualidade. Se o orgasmo, principalmente o feminino, ainda é criminalizado por religiões e sociedades por que não transformá-lo em arte?

Confira alguns vídeos da série

Xuxa e a Recusa Patológica de Aceitar o Passado. Por Kiko Nogueira

Texto originalmente publicado no Diário do Centro do Mundo (www.diariodocentrodomundo.com)

Aos 50 anos, ela alimenta uma indústria milionária de processos contra quem mostre o que ela fez (que, aliás, não tem nada de mais).

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Xuxa é a rainha dos processos: processou o Google (perdeu), a Record (ganhou as duas vezes), a Folha Universal (ganhou), o produtor do filme Amor, Estranho Amor (levou), e a TV Bandeirantes (idem). Cada um à sua maneira, todos faziam referência a seu passado.

Ela acaba de dar uma festa para 600 pessoas para comemorar seus 50 anos. Os mestres de cerimônias eram Roberto Justus e Deborah Secco. O show previsível de bajulação chegou ao auge quando Deborah disse o seguinte: “Hoje estou aqui e posso dizer que levei para minha vida uma lição que você deixou quando disse: ‘O cara lá de cima vai me dar’”.

Imagino que o cara lá de cima seja Deus (Deborah Secco é evangélica, acredite), e você pode pensar nos indicadores dela apontando para o alto, mas eu não queria me apegar à interpretação da declaração. Xuxa deveria ouvir a máxima do poeta grego Agatão: “Só uma coisa é negada aos deuses: o poder de desfazer o passado”.

Xuxa fez uma bela carreira, mas sofre com o que considera – ou finge considerar – erros da juventude. Como Roberto Carlos, quer controlar tudo o que lhe diz respeito. A constituição favorece esse tipo de coisa – criando, em contrapartida, uma indústria milionária de ações judiciais.

É uma forma de censura. Assim como é “proibido” falar do acidente em que Roberto teve de amputar a perna direita na altura da canela, não é permitido mostrar fotos de Xuxa pelada – ou sequer escrever sobre elas (a apresentadora posava de topless até para revistas generalistas cabeça oca como Manchete). A cada vez que três pessoas falam Amor, Estranho Amor, uma sirene toca em sua mansão: “Opa, lá vem a cena em que eu faço sexo com um menino”. Esse zelo excessivo levou à retirada de um post do jornalista André Forastieri do portal R7

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Sua filha Sasha, de 14 anos, virou agora um pretexto para os vetos. “Foi uma grande decepção para ela (saber que Xuxa fez fotos nua). Além de ser mãe, eu sou o ídolo dela; ela tem orgulho do meu trabalho”, disse em depoimento à Justiça. “Tenho que provar quase diariamente que o que eu faço hoje não tem nada ver com o meu passado”.

Como assim, nada a ver? O fato de ter sido capa de revistas masculinas certamente a ajudou a ser reconhecida e, afinal, trabalhar na Globo. O programa infantil que apresentou (não que o de hoje não seja infantil, mas o de ontem tinha crianças) foi acusado de “sexualizado”, entre outras coisas. Ela costumava se apresentar de minissaia para seus baixinhos. A acusação era moralista – mas é de se pensar se Xuxa não concordaria, atualmente, com a patrulha. Do que Sasha se envergonharia? Das músicas retardadas que a mãe cantava? Nesse caso, seria compreensível.

A dureza é que se trata de uma luta inglória. As imagens estão na internet, bem como o filme (não vou dar o link). Onanistas do Brasil guardam as edições (se não as venderam por uma boa grana) e escaneiam as páginas.

Há alguns anos, o escritor americano Hart Williams cunhou uma expressão: Síndrome de Linda. Era uma alusão às atrizes pornôs que se arrependiam e passavam a se autoflagelar ou atacar seus supostos exploradores. Linda era Linda Lovelace, a estrela do clássico Garganta Profunda, de 1972. Ela se tornou, na maturidade, uma ativista antipornografia. Deu palestras, escreveu livros, o diabo. O diretor, seu marido à época, um homem violento, a teria forçado a fazer as cenas. “Quando você assiste o filme, você está me vendo ser estuprada. Havia uma arma apontada para minha cabeça o tempo todo”.

Com tudo isso, Linda nunca tentou tirar Garganta Profunda de circulação (aliás, está disponível em DVD). Não se ouviu falar de que Pelé, a ex-empresária Marlene Mattos ou algum outro cara lá de cima a tenha obrigado a tirar a roupa. A vitimização de Xuxa é uma mistificação. Ao contrário de Linda Lovelace, Xuxa só tem a si mesma para “culpar” pelo que fez nos anos 80.

Show do Ira no Canecão, 1987

Praticamente um documento histórico. Eu tinha 14 anos nessa época. Ainda comprava discos em vinil. Do Ira tinha dois álbuns. Não me lembro o nome. Um deles tinha uma capa amarela e os integrantes da banda representados em aquarelas. 1987. Eu tinha 15 anos e me mudava do interior do Paraná para Curitiba para cursar o segundo grau. 26 anos se passaram sem que eu percebesse direito.

Liberdade Para as Caixirolas – Por André Barcinski

Texto originalmente publicado em André Barcinski – Uma Confraria de Tolos (http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/)

Fiquei revoltado com a proibição da caxirola na Copa das Confederações.

Para quem passou os últimos meses vivendo em Marte e ainda não conhece a beleza, elegância e design revolucionário desse sublime instrumento criado pela mente astuta de Carlinhos Brown, basta dizer que a caxirola simboliza todo o afeto e respeito que os brasileiros estão demonstrando pela Copa do Mundo. Tanto que milhares delas foram pisoteadas e arremessadas no gramado da Fonte Nova pela torcida baiana.

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Tal manifestação de civismo provocou pânico no COL (Comitê Organizador Local), no governo e na FIFA, entidade que recebeu carta branca do governo para mandar no Brasil até o fim da Copa.

Assustados com a possibilidade de ver os gramados de nossas arenas superfaturadas salpicados de estranhos objetos de plástico verde, os novos síndicos do país proibiram o uso das caxirolas durante a Copa das Confederações, torneio sem a menor importância e que servirá apenas para confirmar o tamanho do ralo em que nosso dinheiro – e não dinheiro privado, como havia sido prometido – desapareceu.

Confesso que fiquei triste com a proibição das caxirolas. Sempre me considerei um liberal, odeio proibições de todo tipo, e não gostaria de ver Carlinhos Brown alçado a mártir da liberdade de expressão (imaginei Brown de violão em punho, cantando “Pra Não Dizer Que Não Falei das Caxirolas”).

Preferiria ver as caxirolas fracassarem por seus próprios deméritos e não por imposições arbitrárias. Sonhava com pilhas de caxirolas encalhadas nas lojas, vendidas como peso de papel ou mordedor para cachorros.

Mas o brasileiro não desiste nunca – só para usar uma frase de efeito bem típica do espírito ufanista que deve contaminar o país nos próximos meses – e, hoje, tivemos uma ótima notícia: a The Marketing Store, empresa que fabrica as caxirolas e espera vender 50 milhões delas a 29,90 reais cada, anunciou que, para tornar a caxirola “ainda mais segura”, vai diminuir o peso do objeto, dos atuais 90 gramas para 78 gramas (leia a matéria completa aqui).

Jogadores, técnicos e todos os aspones, VIPs, pseudocelebridades, ex-BBBs e papagaios de pirata que estarão nos gramados da Copa, respiraram aliviados: com 12 gramas a menos, levar uma caxirolada na cabeça certamente não será tão doloroso.

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Elles. Mulheres Artista na Coleção do Centro Georges Pompidou. CCBB-RJ

De 24 de maio a 14 de julho o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro vai receber uma mostra de obras originalmente do Centro Georges Pompidou de Paris, exclusivamente com obras de artistas mulheres deste século. São 120 trabalhos de 65 grandes artistas, como Frida Kahlo, Lousie Bourgeois, Valie Export, Nan Goldin e Sophie Calle. Há também brasileiras, como Lygia Pape, Anna Maria Maiolino e Anna Bella Geiger. Originalmente, a exposição pretendia discutir o papel da mulher na história da arte. Acho que é um ótimo programaImagemImagemImagemImagem