O Que As Mulheres Esperam dos Homens, Afinal? Por Roberto Amado

Texto publicado no site El Hombre (http://www.elhombre.com.br/o-que-as-mulheres-esperam-dos-homens-afinal/)

Uma nova pesquisa tenta jogar luz sobre essa antiga questão.

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Infelizmente não podemos ouvir seus pensamentos como Mel Gibson no filme

Entender as mulheres é um enigma insondável que remonta às dúvidas pré-históricas dos homens. Na verdade, não há dúvida se não há respostas para elas — e o desafio inclui as próprias mulheres, que não conseguem explicar-se a si próprias. O físico Stephen Hawking, que foi capaz de resolver algumas das questões mais obscuras do universo, admitiu que, para ele, o mais insondável mistério são as mulheres. Então por que você teria a petulância de entende-las?

Mas uma recente pesquisa feita pelo site Harlequin Romance, especializado em relacionamentos, talvez tenha lançado uma luz sobre a questão. Nela, foram ouvidas 1500 mulheres com idade entre 18 e 40 anos por meio de perguntas objetivas sobre o que esperam e o que não esperam dos homens no que se refere às questões de relacionamento.

Entre as atitudes masculinas mais sedutoras, as mulheres entrevistadas destacaram duas: senso de humor e sorriso arrebatador. É possível confirmar, a partir desta informação, que de fato as mulheres não são atraídas tanto pelo aspecto físico, idade ou estilo de roupa.  Senso de humor, por exemplo, diz respeito a recursos intelectuais, ou mais precisamente, inteligência. Já o sorriso arrebatador pode ser interpretado como charme e até gentileza.

Quanto a aspectos masculinos que elas não toleram, há quatro itens eloquentes sobre a alma feminina. O primeiro deles é o homem carente ou dependente emocionalmente. Aquele homem “grudento”, que espera obter soluções de seus problemas vindas de sua companheira, o excessivamente ciumento e que desaba emocionalmente diante de qualquer problema enfrentado pelo casal.

Homens viciados em smartphones é o segundo item rejeitado por elas. Bem prático: não querem dividir atenções. Assim como também odeiam que seu companheiro publique fotos de suas ex mulheres no Facebook (terceiro item). São detalhes, mas que revelam a necessidade de estar com homens seguros, atenciosos e que dedicam integralmente suas emoções a elas.

O quarto e último item é curioso: elas odeiam homens que escrevem com erros graves de gramática, tanto nos emails ou nas mensagens de celular. Em outras palavras, querem homens com boa formação e educação e, possivelmente, inteligentes (novamente).

Será que esses itens resolvem a dúvida ancestral sobre as mulheres? Com certeza, não. Mas pelo menos ilumina,um pouco, os árduos caminhos da sedução.

Midtown. O bairro da vez em Miami. Caderno Boa Viagem, do Globo do dia 27.06.2013

Pra guardar e anota. Excelente matéria da jornalista Fernanda Dutra, publicada no caderno Boa Viagem do Jornal O Globo do dia 27.06.2013

MIAMI – Dos numerosos canteiros de obras do Design District de Miami se ergueram templos do consumo como Céline, Hermès e Emilio Pucci, para mencionar alguns. Já nos muros de Wynwood a assinatura de nomes da arte de rua mudou a paisagem. Entre esses dois enclaves de arte e moda consagrados, fica o despretensioso e residencial Midtown — onde, desde maio, é possível chegar gratuitamente, a partir de Downtown, em trolleys públicos. Dá para encontrar toda sorte de produtos nas lojas de departamento. E depois esticar num dos simpáticos restaurantes (muitos dispensam reservas) ou numa happy hour em bares onde a cerveja é soberana. Entre fontes, jardins bem cuidados e esculturas de Romero Britto, há surpresas como a cabeça de cerâmica tatuada com a palavra “please”, na foto acima. Aos poucos, Midtown se firma com personalidade em meio aos vizinhos escandalosos.

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Escultura de Steve Tyler

 

Cozinhas: comida asiática e picolé

Dos poucos a virar a noite aberto em Midtown e arredores, o Gigi poderia se acomodar com a clientela pouco exigente assídua das altas horas. Mas esses e outros clientes depois voltam no almoço e no jantar para se deliciar com as tapas pan-asiáticas — a definição, aliás, é mais usada por fãs da cozinha do que pelo dono, Amir Ben Zion, que já fazia sucesso com o badalado Bardot, no Design District. Zion preferiu resumir sua casa à trilogia noodles, cervejas e barbecue. A primeira dá o sotaque asiático da casa: sempre há receitas novas com carnes ou frutos do mar frescos, em combinações apimentadas com noodles ou arroz. Na tarde em que passei por lá, era dia de arroz na frigideira com camarões, abacaxi e coentro. Mistura simples e bem temperada que harmoniza com a atmosfera nada afetada do lugar.

São poucas mas boas opções de cervejas — e dá vontade de voltar na happy hour para degustá-las com a trilha sonora da casa. A Magic Hat #9, descrita como “não exatamente uma pale ale”, é levemente amarga, refrescante e vai bem com o tempero asiático. Dogfish 60 Minute Ipa e Orange Blossom Pilsner (produzida em Orlando, com mel) compõem a seleção. Para os detratores das pequenas porções, há costelas de porco, hambúrgueres e bifes de rib eye.

No menu do recém-aberto japonês Machiya Ramen Noodle House, sushis e sashimis são coadjuvantes. A comfort food japonesa dá o tom da casa, que produz diariamente sua massa fresca, servida com barriga de porco e cebolas crocantes.

Perto dali, também tem um pé na Ásia o Sugarcane, do mesmo grupo do Sushisamba — que surgiu em Nova York, está na Lincoln Road de Miami Beach, e também em Chicago e Londres. Os rolls clássicos do Sushisamba estão em Midtown, mas, ali há muito menos people watching — até porque há um muro verde garantindo a privacidade dos comensais que preferem se sentar ao ar livre. O jardim com cadeiras coloridas de ferro, mesas de madeira e luminárias no formato de estrelas convida a um longo brunch. As vieiras cobrem maçãs e vêm servidas com molho de lima, trufas negras e pimenta jalapeño. São seis peças para abrir o apetite. Os grelhados da casa vêm na simpática forma de robata, o espetinho japonês, em opções como aspargos com limão, cogumelos da época ou escargot no purê de alho; este último, novidade do menu de primavera.

Vizinho do Sugarcane, o Mercadito, também nasceu em Nova York e chegou a Miami em 2010. É especializado em tapas mexicanas, e produz as próprias tortillas de milho, nas quais serve tacos de tilápia, e as mais tradicionais, de frango e carne. Tanto o Mercadito quanto o Sugarcane servem ceviches. Porém, bom mesmo é o autêntico Sabor al Peru, dentro de um prédio comercial. Lá se bebe Cusqueña, a língua oficial é o espanhol e o leche de tigre é irretocável.

Depois das várias pequenas porções, experimente a última moda de Midtown Miami: os Feverish Pops, picolés naturais com opções para celíacos e intolerantes à lactose, em sabores como chocolate salpicado de coco e limonada de kiwi. Para pedir os sabores de mojito de morango e piña colada de framboesa é necessário provar ser maior de idade. Não à toa, a marca já fazia sucesso nas festas de Miami antes de abrir a loja ali — praticamente um concorrente dos bares na happy hour.

Compras: cerveja e bagatelas ao ar livre

A vida em Midtown Miami se concentra num conglomerado de lojas, ao ar livre, batizado de Shops at Midtown, cercado de prédios residenciais. As principais vitrines por ali são das gigantescas lojas de departamento e suas bagatelas: num único quarteirão, estão Target (roupas, papelaria, cosméticos, comidinhas); Ross Dress for Less e Marshalls (roupas, malas e itens para a casa); HomeGoods (itens para casa); as menores, de calçados, Payless Shoesource e Footlocker; Linens’n’Things (roupas de cama, mesa e banho); Loehmann’s (roupas); Toys R Us (brinquedos).

Está ainda em fase de projeto um Walmart de quase dois mil m² para o bairro. Os moradores, porém, não andam muito felizes com a ideia de ganhar mais uma megaloja e conseguiram barrar o projeto arquitetônico num conselho que analisa obras — mas, na prática, isso não significa que a loja terá de mudar o projeto nem desistirá da construção.

Nos últimos anos, os moradores de Midtown têm visto também a inauguração de estabelecimentos menores e mais originais. Caso do brechó Rive Gauche, que abriu no início deste ano com sandálias Miu Miu, bolsas vintage e atuais Louis Vuitton e dezenas de vestidos. A The Alchemist, com duas lojas na Lincoln Road, terá sua primeira filial fora de South Beach em Midtown ainda este ano. A loja é conhecida pela seleção de grifes modernas de roupas e acessórios.

Fazendo jus aos restaurantes das redondezas, as compras gourmet no bairro também são boas. Há várias unidades da The Cheese Course da Flórida, e uma da Boulder, do Colorado. A loja vende queijos artesanais de produtores selecionados franceses, suíços e americanos. Já a Vintage Liquor tem cara de loja de conveniências, mas suas prateleiras guardam rótulos de destilados e vinhos de pequenos e grandes produtores, além de várias cervejas artesanais.

Bar de vinhos a preços de mercado

Escolhida como a melhor seleção de vinhos da cidade pelo jornal “New Miami Times” (dedicado à programação), a Lagniappe funciona um pouco como loja, bar e casa de jazz. Não há garçons nem taxas de rolha, somente o couvert para os músicos (US$ 3). Os clientes pegam as cervejas artesanais, como Lagunitas IPA e Monk in the Trunk, direto da geladeira, ou os vinhos, das prateleiras com cerca de 200 rótulos, entre importados e americanos a preços bem próximos dos de mercado, e pagam no caixa. Depois podem pedir para os funcionários uns petiscos, abridor de garrafas e taças. O enorme jardim interno torna irresistível não se sentar ali mesmo para degustar os rótulos.

Na mesma lista do jornal, o World of Beer de Dadeland foi escolhido como a melhor carta de cervejas. A cadeia de bares abriu este ano sua filial em Midtown com 50 torneiras de chope (Anderson Valley, Dogfish, Harpoon, entre outras sazonais), e mais de uma centena de garrafas. Pelo aplicativo do bar (wobusa.com), é possível saber quais rótulos encontrar em cada filial.

Bares e restaurantes

The Cheese Course: Todos os dias, das 10h30m às 21h. 3.451 NE 1st Avene. thecheesecourse.com

Feverish Pops: De segunda a sábado, das 10h às 21h. Aos domingos, das 12h às 18h. 3.252 NE 1st Ave. feverpopshop.com

Gigi: Aos domingos e segundas, das 12h à 0h. Terças e quartas, das 12h às 3h. De quinta a sábado, das 12h às 5h. 3.470 N Miami Avenue. giginow.com

Lagniappe: De terça a domingo, das 19h às 2h. 3.425 Ne 2nd Avenue. lagniappehouse.com

Machiya: De domingo a quarta, das 11h30m às 23h. Às quintas, de 11h30m à 0h. Às sextas e sábados, das 11h30m às 2h. 3.252 NE 1st Avenue. machiyamidtown.com

Mercadito: De segunda a quarta, das 16h às 23h. Quintas, das 16h à 0h. Sextas, das 16h à 1h. Sábados, das 11h30 à 1h. Domingos, das 11h30m às 23h. 3.252 NE First Avenue. mercaditorestaurants.com

Sabor al Peru: De segunda a quarta, das 10h às 23h. Quinta a sábado, das 10h às 23h30m. Aos domingos, das 9h às 23h. 2.923 Biscayne Boulevard. saboraperu.net

Sugarcane: Às segundas e terças, das 11h30m à 0h. Quartas, das 11h30m à 1h. Quintas e sextas, das 11h30m às 2h. Sábados e domingos, das 10h à 0h. 3.252 NW 1st Ave. sugarcanerawbargrill.com

Vintage: De segunda a quarta, das 10h30m às 21h30m. Quintas, das 10h30m às 22h30m. Sextas e sábados, das 10h30m às 23h30m. Sábados, das 10h30m às 23h30m. Domingo, das 12h às 19h. 3451 NE 1st Ave. vintageliquor.com

World of Beer: De segunda a quarta, das 15h à 1h. Quintas e sextas, das 15h às 2h. Sábados, das 12h às 2h. Domingo, das 12h à 1h. 3.252 NE 1st Ave. wobusa.com

 

Onde ficar

B2: Hotel aberto em maio, em frente ao Bayside Marketplace, em Downtown. Diárias para casal a partir de US$ 119. 146 Biscayne Boulevard. bhotelsandresorts.com

Hampton Inn & Suites: Na mesma região do B2, aberto no final de 2011. 50 SW 12th St. Diárias a US$ 143. hamptoninnmiamibrickell.com

Aloft Miami Brickwell: O moderninho econômico abre dia 11 de julho em Downtown. 1.001 SW 2nd Avenue. Diárias a partir de US$ 175. starwoodhotels.com.

 

Injustiça Flagrante

Também na revista Alfa deste mês excelente matéria de Vicente Vilardaga

O jornalista Antônio Pimenta Neves, ex-diretor de redação do jornal O Estado de São Paulo, assassino confesso, por motivo torpo de sua ex-namorada, Sandra Gomide – simplesmente porque ela terminou o namoro – acaba de completar, na cadeia, um sexto de sua pena. E vai ganhar o direito de cumprir sua pena em regime semi-aberto, no qual passa o dia fora da prisão, trabalhando ou estudando. Na prática, o regime semi-aberto acaba se transformando em liberdade condicional ou prisão domiciliar, por falta de vagas, problemas de saúde do condenado ou simplesmente pela inexistência de colônias penais onde, segundo a lei, devem passar a noite os presos desse regime. Ao todo, de sua pena de 15 anos, Pimenta ficou apenas 2 anos preso.

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Pimenta também se sai bem no âmbito civil. Após o crime, que aconteceu no ano 2000, os pais de Sandra Gomide ajuizaram ação de indenização por danos morais – o pai de Sandra hoje só se locomove com cadeira de rodas e a mãe sofre com problemas psiquiátricos. A defesa de Pimenta Neves argumentava que o jornalista também era vítima: havia sofrido abalo psicológico e tivera sua imagem pública destruída. A condenação final só veio em 2010. R$400mil. Em função do trâmite processual a indenização até hoje não foi paga. 

O assassinato de Sandra já é um dos casos passionais mais marcantes de impunidade da história do Brasil. Pimenta é um condenado do Século XXI. Diferente dos casos notórios dos anos 70 e 80, em que se matava “por legítima defesa da honra”, como nos casos de Doca Street e Lindomar Castilho. Surpreende que ele fique tão pouco tempo preso, como os assassinos passionais do passado. 

Essa história toda está no livro À Queima Roupa, que o mesmo Vicente Vilardaga lança este mês pela Editora Leya

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O Psico e o Executivo

Matéria interessante, de Emiliano Urbim, que eu li na revista Alfa deste mês. Relaciona características típicas de psicopatas e mostra como, com um discurso adequado, podem ser colocadas como características de executivos de sucesso. Assim é que, Dexter Morgan, por exemplo, é um sujeito centrado, que não se abala sob pressão, não sofre com erros e não permite que nada fique entre ele e seus objetivos. Não fosse ele um frio serial killer e poderia ser usado como exemplo a ser seguido. Acho até que se pode até reconhecer esse conjunto de  qualidades em alguns gurus do mundo dos negócios.

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A matéria ressalta, na verdade, uma onda de livros que apresenta – não me arrisco a usar a palavra “defende” – essa tese: de características dos psicopatas que são ou seriam apreciadas no mundo dos negócios. É o caso de The Wisdom of Psychopats, de Kevin Dutton (psicólogo de Oxford), que diz: “as armas mortais dos psicopatas seriam sete: impiedosidade, charme, foco, firmeza mental, destemor, diligência e ação. Ou seja, trata-se de características que podem ser usadas para o mal – mas também para o próprio bem”.

Mais sinistro é o recém lançado Confessions of a Sociopath, cujo autor usa um pseudônimo, M E. Thomas, e também assina um blog, um a cada 25 de seus compatriotas, americanos, é um psicopata. Bem sucedidos, não criminosos, mas psicopatas. Gente amoral, sem remorsos e egocêntrica ao extremo.

Jon Ronson, autor de The Psycopath Test defende que muitos políticos, executivos e outros líderes possuem traços de psicopatia.

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Adam Kotsko, autor de Why we love Sociopaths, finalmente, diz que é preciso separar as coisas. “Série e livros ressaltam qualidades e escondem defeitos dos psicopatas. Podemos aprender a curtir nosso sucesso, evitar autossabotagem e correr riscos como eles. Mas cientes de que esse comportamento leva a nunca criar laços reais.

Pois é…