I am Sam. Filme e trilha sonora fundamentais

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I am Sam eh um filme de 2001 que conta uma historia emocionante. O filme relata a história de Sam Dawson (Sean Penn) um homem com deficiência mental que cria sua filha Lucy (Dakota Fanning) com ajuda de seus amigos. A mae da menina os abandonou. Porém, assim que faz 7 anos Lucy começa a ultrapassar intelectualmente seu pai, e esta situação chama a atenção de uma assistente social que quer Lucy internada em um orfanato. A partir de então Sam enfrenta um caso virtualmente impossível de ser vencido por ele, contando para isso com a ajuda da advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), que aceita o caso como um desafio com seus colegas de profissão. Aqui no Brasil o filme recebeu o titulo canhestro de Uma lição de amor.

O filme emociona e conquista o espectador pelo conteúdo humano de sua história. Faz uma belíssima reflexão sobre a capacidade de cuidar que uma pessoa com deficiência mental pode ter e nos fazendo refletir sobre a discriminação sofrida por essas pessoas em seu meio social. tem que preparar o lenço para ver esse filme. Eh de chorar soh de ver o trailer, abaixo.

O tema tinha tudo para cair no piegas: rapaz deficiente mental luta na justiça para manter a guarda de sua filha de seis anos. E muita gente critica o filme por isso. Fala que eh apelativo, que abusa de emocionar o publico, etc. Sei lah. Eu vou ao cinema para me divertir e para curtir um bom momento e para mim o filme faz isso. Acho que na direcao do filme,  o bom senso prevaleceu e o difícil roteiro acabou se transformando num belo trabalho, sensível sem ser choroso, emocionante sem ser sentimentalóide.

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Boa parte da qualidade do filme deve ser creditada à excelente interpretação dos atores. Sean Penn vivecom força e dignidade o papel de Sam. Michelle Pfeiffer vive uma advogada tragicomicamente estressada (meio que pleonasmo). Mas quem ganho o Oscar foi a entao garotinha Dakota Fanning (Sean Penn tambem foi indicado mas nao levou).

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A trilha sonora eh um assunto a parte. Toda constituída de covers dos Beatles, tocadas por Eddie Vedder, Ben Harper, Wallflowers, Nick Cave, dentre outros… Aliás, a história inteira tem a ver com o quarteto inglês. A filha de Sam se chama Lucy Diamond, cenas remetem à Abbey Road, e o protagonista cita várias frases de Lennon e McCartney ao longo dos 132 minutos de filme.

As minhas musicas favoritas na trilha estao abaixo.

Nasce o Brasil Taliba. Por Guilherme Fiuza para o Jornal O Globo de 26.10.2013

Artigo do jornalista Guilherme Fiuza publicado originalmente no Jornal O Globo de 26.10.2013

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O Brasil virou, definitivamente, um lugar esquisito. A última onda de manifestações reuniu professores em greve (e simpatizantes) por melhores salários para a categoria. Aí os professores cariocas receberam a adesão dos tais black blocs – nome pomposo para um bando de almas penadas em estado de recalque medieval contra tudo. Os professores não só acolheram os depredadores desvairados nas suas passeatas, como declararam, por meio de seu sindicato, que aquele apoio era “bem-vindo”.

Deu-se assim o casamento do século: a educação com a falta de educação. Nem a profecia mais soturna, nem a projeção mais niilista, nem as teses do maior espírito de porco conceberiam esse enlace. O saber e a porrada, lado a lado, irmanados sob o idioma da boçalidade.

Mas o grande escândalo não está nessa união miserável. Está na cidade e no país que a cercam. Se o Rio de Janeiro e o Brasil ainda tivessem um mínimo de juízo, o romance entre profissionais do ensino e biscateiros da violência teria revoltado a opinião pública. As instituições, as pessoas, enfim, a sociedade teria esmagado esses sindicalistas travestidos de educadores. O saber é o que salva o homem da barbárie. Um professor que compactua, ou pior, se associa ao vandalismo é a negação viva do saber – é a negação de si mesmo. Não pode entrar numa sala de aula nem para limpar o chão.

E o que diz o Brasil dessa obscenidade? Nada. O movimento grevista continuou tranquilamente – se é que há alguma forma tranquila de estupidez – bloqueando o trânsito a qualquer hora do dia, em qualquer lugar , diante de cidadãos crédulos que acreditam estar pagando pedágio pela “melhoria da educação”. Crédulos, nesse caso, talvez seja um eufemismo para otários.

Claro que uma sociedade saudável logo desconfiaria dos métodos desses professores. E os desautorizaria a lutar por melhores condições de ensino barbarizando as ruas. Os salários dos professores de verdade são uma tragédia brasileira, mas esses comparsas de delinquentes mascarados não merecem um centavo do contribuinte para ensinar nada a ninguém. O problema é que a sociedade está revelando, ainda timidamente, a sua faceta de mulher de malandro. Apanha e gosta.

Na entrega do Prêmio Multishow, o músico Marcelo D2 apareceu no palco com sua banda toda mascarada, com uma coreografia simulando uma arruaça aos gritos de “black bloc!” Não se registrou nenhum mal-estar , reação ou mesmo crítica ao músico que fazia ali, ao vivo, um ato veemente de apoio ao grupo fascistoide que quebra tudo. Está se formando uma opinião pública moderninha que não admite abertamente ser a favor da violência, mas que se encanta e sanciona essa rebeldia da pedrada. A vanguarda, quem diria, foi parar na Faixa de Gaza.

Caetano Veloso também posou com o figurino da máscara negra. Declarou ser a favor da paz, mas disse que a existência dos black blocs “faz parte”. Quando um artista da magnitude de Caetano emite um sinal tão confuso como esse, não restam dúvidas de que os valores andam perigosamente embaralhados. Tem muita gente acreditando que a revolução moderna passa por esse flerte com o obscurantismo. O nome disso é ignorância.

A confusão de valores está espalhada por todo o debate público. Nas ruas, depredação é confundida com civismo; na internet, pirataria é confundida com liberdade. A suposta “democratização da cultura” legitimou o assalto aos direitos autorais de grandes compositores brasileiros, com a praga do acesso gratuito às músicas.

De impostura em impostura, chegou-se à inacreditável polêmica sobre a proibição de biografias não autorizadas – uma resposta obscurantista dos próprios artistas assaltados pela liberdade medieval da internet.

O dilema entre liberdade de expressão e direito à privacidade tornou-se o grande tema do momento. Um dilema absolutamente falso. Ambos são direitos sagrados e podem conviver tranquilamente, ao contrário da paz e da porrada. É aterrador que gênios como Caetano Veloso e Chico Buarque estejam confundindo pesquisa séria e literatura biográfica com voyeurismo, fofoca e curiosidade mórbida. Guarnecer a fronteira entre esses dois campos é muito fácil – numa sociedade que não tenha desistido do bom senso, da justiça e da educação.

Mas numa sociedade que tolera educadores adeptos do quebra-quebra, não haverá mordaça legal que dê jeito. Não existe meio-obscurantismo. Entre os talibãs, por exemplo, a carta magna é o fuzil. E aí tanto faz a maneira de lidar com livros e músicas, porque eles não têm mais a menor importância.

Palácio e os Movimentos Sociais. Por Demetrio Magnoli para o Jornal O Globo

Artigo de Demetrio Magnoli publicado originalmente no Jornal O Globo (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/10/24/palacio-os-movimentos-sociais-512971.asp)

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“É um absurdo vender isso. A sociedade não participou do debate sobre o tema. Nossa tentativa é sensibilizar o governo para negociar e discutir”.

As sentenças, de Francisco José de Oliveira, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), referiam-se ao leilão de Libra, na faixa do pré-sal. Mas a lógica subjacente a elas, expressa na segunda frase, nada tem de singular.

Nas duas últimas décadas, os “movimentos sociais” repetem aborrecidamente a ladainha sobre “a sociedade” excluída do “debate”, enquanto invadem órgãos públicos em nome da “participação”. Vivemos nos tempos do supercorporativismo, um ácido corrosivo derramado sobre o material de nossa democracia.

O Brasil moderno nasceu, pelo fórceps de Getúlio Vargas, sob o signo do corporativismo. A “democracia social” do Estado Novo cerceava os direitos do indivíduos, subordinando-os a direitos coletivos.

Na definição do historiador Francisco Martinho, “o cidadão nesse novo modelo de organização do Estado era identificado através de seu trabalho e da posse de direitos sociais e não mais por sua condição de indivíduo e posse de direitos civis ou políticos” (“O corporativismo em português”, Civilização Brasileira, 2007, p. 56).

Inspirado no salazarismo português e no fascismo italiano, o corporativismo varguista organizou a sociedade como uma família tripartida: governo, sindicatos patronais e sindicatos de trabalhadores. O supercorporativismo, uma obra do lulopetismo, infla o balão do corporativismo original até limites extremos.

Um traço forte, comum a ambos, é o desprezo pelos direitos civis e políticos, que são direitos individuais associados à ordem da democracia representativa. A principal diferença encontra-se no atributo nuclear da cidadania: o cidadão varguista definia-se pelo trabalho; o cidadão lulopetista define-se pela militância organizada. No Estado Novo, a carteira de trabalho funcionava como atestado de inserção na ordem política nacional.

Sob o lulopetismo, o documento relevante é a prova de filiação a um “movimento social”. Na invasão do Ministério das Minas e Energia, junto com a FUP, estavam líderes do Movimento dos Sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) — que, em tese, não têm interesse no tema da exploração do pré-sal.

A sociedade, segundo o supercorporativismo, é a soma das entidades sindicais e dos “movimentos sociais”. É por isso que, sem o consenso dessas corporações da nova ordem, nenhum assunto jamais estará suficientemente “debatido”.

Lula nasceu no berço do sindicalismo. O PT estabeleceu, na origem, íntimas relações com os “movimentos sociais”. Nas democracias, a sociedade civil organiza-se para exercer pressão legítima sobre os poderes de Estado.

O lulopetismo, porém, borrou a fronteira entre sociedade civil e Estado assim que chegou ao governo: sua reforma da CLT estendeu a partilha do imposto sindical varguista às centrais sindicais, enquanto os “movimentos sociais” passaram a receber financiamento público direto ou indireto.

O cordão umbilical que liga o poder de Estado aos “movimentos sociais” é a Secretaria Geral da Presidência, um ministério estratégico chefiado por Luiz Dulci, no governo Lula, e por Gilberto Carvalho, no governo Dilma Rousseff. Os dois engenheiros do edifício do supercorporativismo pertencem ao círculo de fiéis incondicionais de Lula.

O PT sempre enxergou os “movimentos sociais” como tentáculos partidários. Os líderes mais destacados desses movimentos são militantes petistas. O financiamento público elevou a conexão a um novo patamar: na última década, eles se converteram em satélites do Palácio.

Os dirigentes do MST, do MAB e de inúmeros movimentos similares ajustam suas agendas políticas às do Partido e cerram fileiras com o lulopetismo nos embates eleitorais. Durante a odisseia do mensalão, eles desceram às trincheiras enlameadas para proteger José Dirceu et caterva. Contudo, na dialética do supercorporativismo, os “movimentos sociais” também precisam promover mobilizações contra o governo, sob pena de se condenarem à irrelevância.

O corporativismo varguista almejava a harmonia social. No mecanismo de regulação do lulopetismo, a desordem é um componente da ordem. Os “movimentos sociais” palacianos produzem fricções cíclicas, que são reabsorvidas pelo recurso a negociações simbólicas e compensações materiais.

A extensão inevitável do “direito à desordem” a movimentos controlados por facções dissidentes (PSOL, PSTU) provoca perturbações suplementares, mas, paradoxalmente, robustece os alicerces lógicos do supercorporativismo. Os invasores do Ministério de Minas e Energia são obrigados a confirmar periodicamente seu estatuto de interlocutores privilegiados do poder por meio de ações de contestação limitada da ordem.

A democracia representativa ancora-se no princípio da soberania popular, que é exercida por meio da delegação de poder, em eleições gerais. O sistema político-partidário brasileiro desmoraliza a representação para assegurar privilégios especiais a uma elite política de natureza patrimonialista.

O lulopetismo, um sócio majoritário desse sistema, aproveita-se de seus desvios para erguer o edifício do supercorporativismo como esfera paralela de negociação política.

Na dinâmica extraparlamentar do supercorporativismo, o Partido pode ignorar as demandas dos cidadãos comuns, dialogando exclusivamente com a casta mais ou menos amestrada de dirigentes dos “movimentos sociais”. Sabe com quem está falando? Você só é alguém se possuir a carteirinha de um “movimento social” — eis a mensagem veiculada pelo Palácio.

Nas “jornadas de junho”, manifestações multitudinárias falaram em “saúde” e “educação”, reivindicando direitos universais estranhos à lógica do supercorporativismo. Por isso, nervoso e assustado, o Partido as rotulou como uma “reação da direita”. Ah, bom…

 

Demétrio Magnoli é sociólogo.

12 Years a Slave. Trailer

12 Years a Slave e o aguardado terceiro filme do diretor inglês Steve McQueen. Filme mais esperado do Festival de Toronto deste ano, a seis meses do Oscar 2014, o longa já desponta como favorito.

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O filme produzido pela Plan B de Brad Pitt é baseado em uma inacreditável história verídica ocorrida nos Estados Unidos pré-Guerra da Secessão. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um músico e homem livre que, após um “boa-noite Cinderela” trágico, é aprisionado e vendido como escravo por Theophilus Freeman (Paul Giamatti, em pequena participação) para William Ford (Benedict Cumberbatch), um fazendeiro do sul. Ford não é dos piores, mas Solomon, educado e culto, logo entra em conflito com o seu capataz, John Tibeats (Paul Dano). Incapaz de protegê-lo, Ford vende Solomon para o violento Edwin Epps (Michael Fassbender), em cuja fazenda se desenrola a maior parte da ação do filme.

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Solomon passa 12 anos como escravo, ate que e libertado por um advogado, vivido por Brad Pitt.

As criticas que li sao todas positivas. Nao fosse isso, a trilha sonora promete, com Alabama Shakes e John Legend

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Entrevista de George Clooney para o site El Hombre sobre o filme Gravidade. Por Harold Von Kursk

Entrevista a Harold von Kursk publicada originalmente no site El Hombre (http://www.elhombre.com.br/george-clooney-fala-ao-el-hombre-sobre-gravidade/)

 

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VENEZA – A palavra carisma não é o suficiente para descrever a aura que carrega George Clooney. Ele é o ícone do playboy jovial. Nascido para ser uma estrela de cinema, o ator multimilionário divide sua vida entre o trabalho e sua vida em sua vila italiana. Ele é a estrela definitiva do cinema e seu sorriso charmoso e personalidade magnética fazem com que seja comparado a outras lendas de Hollywood, onde alcançou um ponto em sua carreira em que apenas o seu legado importa. “Não me importo mesmo com nada a não ser meu trabalho”, diz Clooney ao El Hombre. “Tracei um objetivo de deixar um legado de bons trabalhos e me dedico absolutamente a esta meta. É a única coisa que me estressa. Quando o assunto é minha vida pessoal, estou me divertindo muito. Consigo fazer exatamente o que gosto. Se quisesse, poderia simplesmente pegar minha moto e dirigi-la para sempre.”

Seu novo filme, Gravidade, dirigido por Alfonso Cuarón, mostra Clooney ao lado de Sandra Bullock como um par de astronautas à deriva no espaço depois de sua espaçonave ser destruída. Aclamado pelos críticos desde sua estreia no Festival de Veneza, o filme é tido pela indústria como um dos grandes concorrentes ao Oscar. Essa é a segunda aventura no espaço de Clooney, já que havia estrelado anteriormente o remake de Solaris, em 2002. Gravidade, no entanto, é um longa muito mais envolvente e que evidencia o plano de Clooney de fazer parte de filmes significativos. Nos últimos 5 anos, o ator foi indicado ao Oscar 5 vezes por seu trabalho em filmes como Os Descendentes, Amor Sem Escalas Conduta de Risco. Antes já tinha recebido a estatueta como Melhor Ator Coadjuvante por Syriana. Gravidade se tornou um dos maiores hits da carreira de Clooney, arrecadando mais de US$ 50 milhões em sua semana de estreia nos EUA.

Gravidade é um filme único. O que você achou?

É um filme muito filosófico. É sobre aceitar a morte. A sensação de solidão que Alfonso Cuarón criou é algo muito rara e excepcional no cinema e vai gerar discussão. É um dos filmes mais memoráveis que já trabalhei e há alguns aspectos revolucionários na direção de fotografia e tecnologia envolvidas nele. É um trabalho lindo e elegante, e Sandra Bullock está incrível.

Foi fisicamente desafiador para vocês dois, certo?

Quando cheguei ao set e fui suspenso no ar usando aquela roupa de astronauta, me perguntei como conseguiria atuar. O mais difícil foi falar normalmente enquanto me mexia tentando simular e reproduzir o movimento lento de estar sem peso. Não tinha percebido que seria tão difícil, mas demorou um certo tempo até conseguirmos falar normalmente. Estar suspenso no ar foi muito desconfortável. Eu e Sandra podíamos rir muito entre os takes para tornar as coisas mais fáceis.

Você é famoso por suas pegadinhas. Qual foi uma de suas melhores?

Não posso citar as que foram realmente maldosas. Mas eu adoro fazer essas pegadinhas com o Brad Pitt. Muitos anos atrás, Brad e eu estávamos em um hotel na Itália enquanto filmávamos12 Homens e Mais Um Segredo. Uma noite, antes do Brad voltar ao hotel, eu fui até a sacada do quarto dele e comecei a acenar para as pessoas. Pouco depois já tinham centenas de mulheres e eu continuava acenando e mandando beijos. Quando o Brad finalmente chegou, teve que ficar horas e hores ouvindo mulheres gritando “George, George” esperando que eu voltasse.

Já faz tempo que você decidiu se dedicar a ter uma carreira que pode ter orgulho. Você sente que alcançou a maioria de seus objetivos?

Bom, não estou afogado em ressentimento. Mas também não aceito qualquer coisa. Estou em um ponto na minha vida que posso ajudar a fazer muitos filmes interessantes e essa janela pode se fechar rapidamente se eu não for cuidadoso. Sinto que entendo o processo de fazer filmes que podem ser significativos e estou mais determinado do que nunca para aproveitar essa oportunidade. Quero poder deixar um legado e não ter nenhum arrependimento por ter deixado de fazer filmes interessantes.

Como a visão de seu pai te influenciou?

Meu pai (Nick Clooney, jornalista veterano) é um idealista. Ele acredita que existe uma forma certa de viver e uma forma certa de gerir um governo. Então ele nunca se intimidou em dizer o que pensava a respeito de alguns assuntos e foi aberto em relação ao que acreditava sobre a política, mesmo que aquilo custasse seu trabalho. Então cresci dando valor à noção de integridade e devo isso ao meu pai. Se você vive sua vida assim, vai estar constantemente buscando formas de não ter que vender sua alma. Por isso tento tanto fazer filmes que podem ser marcantes. Quero poder sentar numa cadeira e lembrar com orgulho dos filmes que fiz quando tiver 80 anos.

Você já falou várias vezes sobre não querer desperdiçar seu tempo. Você vive com uma certa urgência?

Estou consciente do quão breve a vida é e como você deve tentar fazer cada dia relevante – não só os melhores momentos, como festivais, premiações ou estreias. Se minha vida se resumir a isso, o que me resta? No fim, o importante é tratar as pessoas bem e ser leal a seus amigos. Por isso que tento ser tão agradável quanto posso com as pessoas que trabalho e por que não vou trabalhar com quem trata outros mal em um set.

Diferente de outras estrelas de Hollywood, você parece ser muito calmo em relação a sua fama. Como você conseguiu isso?

Antes de chegar em Los Angeles, era o filho de um jornalista muito famoso e minha tia Rosemary tinha sido uma das maiores estrelas da música na sua época. Então eu já sabia como era ser uma celebridade e como tudo pode acabar muito rápido. Minha tia me ensinou a manter a perspectiva. Ela foi uma das cantoras mais populares do país. Mas aprendi conforme vi sua carreira afundando nos anos 60 (com o advento do rock n roll). Eu vi como isso não tem nada a ver com você. Tudo isso se resume a sorte e estar no lugar certo na hora certa. O problema das pessoas famosas é que elas pensam que na verdade são geniais, e que por isso são famosas e que conquistou tudo. Mas não. Você teve sorte. Eu tive sorte. Fiz um programa de TV (Plantão Médico) que tinha um lugar de destaque na grade da emissora e atraia 40 milhões de espectadores por episódio. Por causa desse sucesso, pude trabalhar com filmes e eventualmente consegui fazer filmes que queria… Mas lembre-se, também sou o cara que quase matou o Batman de vez. Por isso não aceito qualquer coisa.

Há algum filme que você fez e tem muito orgulho mas que o público não o vê como um de seus melhores trabalhos?

Tenho muito orgulho de Boa Noite, Boa Sorte e espero que as pessoas se lembrem deIrresistível Paixão, que foi meu primeiro trabalho com Soderbergh.

Já chegou a se desentender seriamente com algum diretor?

Já aconteceu de termos opiniões diferentes. Geralmente, se você tem que fazer algo que odeia ou que tem vergonha, acaba pensando “Tomara que isso funcione ou vou machucar meu diretor”. [rs]

Qual foi a melhor reação que você já teve com algum fã?

“Nossa, você não é tão bonito de perto”.

Os 10 Segredos de Vinicius de Moraes com as Mulheres. Por Roberto Amado

Artigo de Roberto Amado publicado originalmente no site Poucas Palavras (http://robertoamado.com.br/os-dez-segredos-de-vinicius-de-moraes-com-as-mulheres/)

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Nesse momento em que Vinícius de Moraes estaria completando cem anos, nada mais apropriado do que pensar nele e no seu sucesso. Principalmente com as mulheres.

 

1. Romantismo sem frescura

Vinícius foi um grande poeta capaz de eternizar seus versos, ainda que em muitas vezes tenha optado por ser popular. Talvez seja esse o seu primeiro segredo de sucesso com as mulheres: ser romântico e sensual fazendo-se compreender.

 

2. Ar de poeta tuberculoso

Ele não tinha o lay-out que se confere, normalmente, aos grandes conquistadores. Era baixo, gordinho, tinha o cabelo oleoso e parecia estar sempre engasopado — e muitas vezes estava mesmo, porque gostava de beber, do uísque à cachaça. E talvez esse fosse seu segundo segredo: tinha aquele ar romântico e embevecido, como eram os poetas tuberculosos antigamente, que instiga as terminações nervosas femininas de baixo para cima.

 

3. Determinação impulsiva 

Vinícius casou nove vezes. Talvez não no papel, mas morou junto com todas elas. Ele não namorava. Gostava de uma mulher e era o que bastava para, às vezes na mesma noite, colocá-la morando em sua casa. Paixão e determinação — esses é o terceiro segredo do poetinha.  As mulheres querem que o homem se apaixonem por elas e sejam determinados, seguros, decididos.

 

4. Fama de especialista

Uma frase célebre sua é “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. Esse que poderia ser considerado um pensamento machista é, na verdade, o seu quarto segredo com elas. Todas as mulheres que ele assediava tinham certeza absoluta que eram bonitas — mesmo que não fossem. Por isso, todas queriam estar perto dele, serem aprovadas por ele. Já viu, né?

 

5. Sem frescuras

O quinto segredo é que Vinícius não perdia oportunidades. Ele não se fazia de difícil e não rejeitava nenhuma — não tinha essa de ficar reparando no cabelo muito curto, na celulite no canto esquerdo da coxa ou no nariz levemente torto. O poetinha tinha compromisso com a produtividade.

6. Amor declarado

O sexto segredo é ele declarar, constantemente, seu amor às mulheres. Ainda que fosse no plural, qual mulher não se sentia atraída por quem declara amor ao gênero? Não só atraída. Mas segura de que será bem tratada, amada, confiada. Entendeu?

 

 

7. Dom das palavras

O sétimo segredo é a poesia, claro. Algumas doces palavras, articuladas com ritmo e rima, podem fazer milagres com elas. Você nunca será um poeta com a qualidade do Vinícius, mas pode ter sucesso com essa receita desde que não rime “João” com “sabão”.

 

8. Coragem de cantar

Vinícius era um cantor bem ruim. Mesmo. Nos seus shows, aparecia sentado, com um copo de uísque na mesa e, muitas vezes, tropeçando nas palavras, não se podia entender a letra da música. Mas mesmo assim, cantava. Cantores, bons ou ruins, sempre encantam elas. Os bons, pela qualidade. Os ruins, pela coragem. Não é por acaso que “cantada” é um termo que designa o ato de cortejar uma mulher. Pense nisso e afine o gogó. Esse era o oitavo segredo dele.

 

9. Lugar certo, hora exata

O nono segredo era a sua capacidade sensorial de sempre estar onde elas, as melhores, estavam. Na época dele, o melhor lugar era Ipanema. Ele ficava lá, vendo-as sair da praia, com seus ousados biquínis dos anos 1960. E de vez em quando compunha uma música que fazia sucesso internacional. Assim, até eu.

 

10. Tática da aranha

Finalmente, o mais importante. Vinícius era aranha, não gavião. A aranha arma a teia e espera a vítima chegar e se enredar. Daí, calmamente, vai degustar o seu jantar. O gavião fica voando e quando vê a “vítima” ataca num vôo rasante. Luta, se esfola e às vezes sai de estômago vazio. Quem gasta mais energia? Quem come mais? Vinícius não corria atrás de nenhuma: elas vinham a ele.

Ele não precisou de carrões, de ir em balada ou de ostentar dinheiro para ter todos os bondosos benefícios de suas nove mulheres e tantas outras que se tem notícia. Não está na hora de você mudar seus conceitos?

O Marines. Artigo de Denis Lerrer Rosenfield para o Jornal O Globo de 21.10.2013

Artigo de Denis Lerrer Rosenfield originalmente publicado no Jornal O Globo de 21.10.2013.

 

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O marinês é uma nova língua política que se caracteriza por abstrações e fórmulas vagas com o intuito de capturar o apoio dos incautos. Suas expressões aparentemente nada significam, porém procuram suscitar a simpatia de pessoas que aderem ao politicamente correto. Mas só aparentemente nada significam, pois carregam toda uma bagagem teórica que, se aplicada, faria do Brasil um país não de sonháticos, mas de pesadeláticos.

 

Marina Silva ganhou imenso protagonismo nas últimas semanas ao ingressar no PSB do governador Eduardo Campos, fazendo um movimento político inusitado. Ao, aparentemente, aderir ao candidato socialista acabou roubando para ela a cena política, como se fosse, de fato, a protagonista. De segunda posição, a de vice, age como se encarnasse a primeira, de candidata a presidente.

No afã de ganhar espaço midiático, não cessa de dar entrevistas e declarações: num único dia conseguiu o prodígio de ser entrevistada pelos maiores jornais do País, Estadão, O Globo e Folha de S.Paulo, que fizeram manchetes dessas declarações. Nada disse, porém não parava de falar. Vejamos algumas dessas expressões, sob a forma de um dicionário explicativo.

Coligação ou aliança programática – eis uma fórmula das mais utilizadas. Numa primeira abordagem, significaria uma aliança de novo tipo, baseada em programas, e não mais em acordos meramente pragmáticos. Seu objetivo é mostrar que as ideias são prioritárias, não os meros interesses partidários.

Acontece que um escrutínio mais atento dessas ideias mostra uma concepção extremamente conservadora da relação homem-natureza, devendo ele abandonar a “civilização” do “lucro” e do “consumo” e voltar à floresta. É como se o homem atual fosse uma espécie de excrescência natural. A natureza é endeusada sob a forma de um neopanteísmo, como se mexer numa árvore constituísse uma agressão a algo sagrado.

Se há desmatamento é porque os seres humanos precisam alimentar-se, e não por simples ímpeto destrutivo. O Brasil, lembremos, é o país mais conservacionista do planeta: preservou 61% de sua cobertura natural nativa, além de mais de 80% da Amazônia. A oposição de Marina à agricultura e à pecuária, se viesse a ser governo, se traduziria por um imenso prejuízo para o País, hoje celeiro do mundo. A candidata, quando ministra do Meio Ambiente, mostrou-se claramente avessa ao progresso, procurando, por exemplo, de todas as formas tornar inviável não só a comercialização dos transgênicos, mas a própria pesquisa. Ou seja, ela se colocou contra o conhecimento científico. O “novo” significa aqui opor-se ao progresso da ciência e ao desenvolvimento econômico. O alegado “princípio da precaução” era nada mais do que o “princípio da obstrução”.

Digna de nota também é sua concepção dos indígenas, como se seus direitos se sobrepusessem a quaisquer outros. Ela tem uma aversão intrínseca ao direito de propriedade, não se importando nem com os agricultores familiares e os pequenos produtores. Justifica pura e simplesmente sua expropriação, devendo eles ser abandonados. Ademais, seguindo suas ideias, os indígenas deveriam ser consultados – na verdade, decidiriam – sobre quaisquer projetos em áreas próximas às deles ou sobre as quais tenham pretensões de direito.

Convém lembrar que o País tem, segundo o IBGE, uma população indígena, em zona rural, em torno de 530 mil pessoas (um bairro de São Paulo), à qual se acrescentam outras 300 mil em zona urbana. Já ocupam 12,5% do território nacional. Ora, se todas as pretensões de ONGs indigenistas fossem contempladas, com o apoio militante da Funai, chegar-se-ia facilmente a 25% do território. Nem haveria índios para ocupar toda essa vasta extensão de terra.

Acrescentem-se regras cada vez mais restritivas em relação ao meio ambiente – algumas das quais, até o novo Código Florestal, que ela procura reverter, tinham o efeito totalitário da retroatividade – e outras aplicações em curso de quilombolas e populações ribeirinhas, os “povos da floresta”, no marinês, para que tenhamos as seguintes consequências: 1) O País não poderia mais construir hidrelétricas na Amazônia, impedindo a utilização nacional dos recursos hídricos. A oposição à hidrelétrica de Belo Monte é um exemplo disso. 2) Ficaria cada vez mais difícil a extração de minérios, impossibilitando a exploração de jazidas, o que produziria um enorme retrocesso econômico e social. 3) A construção de portos e rodovias se tornaria inviável em boa parte do território nacional, quando se tem imensas carências nessas áreas. 4) A construção civil seria outra de suas vítimas. 5) A agricultura e a pecuária e de modo geral o agronegócio, os motores do desenvolvimento econômico, seriam os novos bodes expiatórios.

Democratizar a democracia – eis outra expressão muito bonita que encobre sua função essencial. Trata-se, na verdade, de instituir formas de consulta que confeririam poder decisório aos ditos movimentos sociais, que compartilham as “ideias” marinistas. Assim, para qualquer projeto seria necessário fazer consultas às seguintes entidades (a lista não é exaustiva): Comissão Indigenista Missionária e Comissão Pastoral da Terra, órgãos esquerdizantes da Igreja Católica, que seguem a orientação da Teologia da Libertação, avessa ao lucro, à economia de mercado e ao estado de direito; MST e afins, como a Via Campesina e outros, que seguem a mesma orientação esquerdizante, propugnando a implementação no Brasil dos modelos chavista e cubano; ONGs nacionais e internacionais (algumas delas financiadas por Estados e empresas estrangeiros), como o Greenpeace e o Instituto Socioambiental, que passariam a decidir igualmente sobre os diferentes setores listados da economia nacional.

Palavras muitas vezes encobrem significados inusitados, sobretudo dos que se dizem puros, não contaminados pela política.

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.