E agora a reflexão do dia: Dez atributos de todo homem (ou melhor, toda pessoa) deve ter. Texto de Roberto Amado

Texto do jornalista Roberto Amado publicado originalmente no site Poucas Palavras (http://robertoamado.com.br/dez-atributos-que-todo-homem-deve-ter/)

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Às vésperas de um novo ano, nada mais normal do que fazer um balanço de vida levando em conta os últimos meses. O padrão é levar em conta as conquistas e fracassos do ano e chegar a uma conta final. Mas, na verdade, pouco importa detalhes como o dinheiro que ganhou, os avanços profissionais, as conquistas amorosas — o tempo haverá de incluir esses fatos num conjunto homogêneo que é sua própria história de vida.O importante é olhar para trás e observar que você praticou alguns princípios fundamentais que formam a estrutura principal do homem. Veja alguns deles.

1- Ter idéias

Você desenvolveu alguma reflexão própria sobre a condição humana no planeta? Sobre a sociedade, o comportamento e a cultura do seu ambiente?

2- Questionar

Ser homem é questionar: leis, padrões sociais, regras, ideias pré-formadas e até tradições. Se não houvesse questionamentos, estaríamos ainda queimando bruxas em praça pública.

3- Pensar no presente

O bom senso vigente prega que devemos pensar no futuro. Mas o que existe mesmo é o presente. Se você pensa só no seu futuro profissional, futuro amoroso, futuro familiar, não está, na verdade, encontrando soluções e, sim, problemas. O seu problema, e da humanidade, é basicamente o presente.

4- Manifestar-se

Se é bom ter ideias e ideologias, melhor ainda se você consegue manifestá-las. Não vale fazer comentários no Facebook ou nos blogs da vida. Manifestar-se é consolidar com ações efetivas, no trabalho ou na sociedade, aquilo que você pensa e acredita.

5- Impor-se

Não adianta você ser só mais um. Um cara padrão, sem personalidade, que apenas soma-se a uma massa uniforme de pessoas ou profissionais. Você tem que se destacar pelo que é, seja de maneira a favor ou contra. O homem que não se impõe não é nada.

6- Desenvolver-se

O desenvolvimento não é subir na carreira, melhorar seus índices esportivos ou aumentar sua lista de conquistas amorosas. É evoluir intelectualmente, adquirindo mais maturidade, capacidade de reflexão e visão abrangente sobre as questões da vida e da morte.

7- Gostar

É preciso ter seus próprios gostos e não adquiri-los de um padrão vigente. Você realmente gosta de passar os feriados numa praia lotada, depois de pegar nove horas de trânsito na estrada? Ou será que você dançar um tango no clube de dança da esquina?

8- Adaptar-se

A vida é transformadora. E é preciso se transformar também, adaptando-se às variáveis. Isso não significa comprar a última versão de um celular. Significa, por exemplo, você ser capaz de adotar o transporte público, largando o carro em casa.

9- Reagir

A capacidade de reação aos desafios é essencial aos homens. Não confunda com o termo “reacionário”. Reagir é dar resposta imediata e adequada às imposições e opressões da sociedade. Reagir é reivindicar seus direitos, é não aceitar os desmandos que a sociedade cria a todo momento. Você não pode assistir passivamente a uma injustiça social, a uma ameaça ao bom senso, a qualquer tipo de discriminação e preconceito. Reaja.

10 – Condescender

A capacidade de aceitar o outro mesmo que não haja concordância. A condescendência, ou seja, a tolerância com o comportamento e ideias alheias, é essencial. Em outras palavras, gentileza.

A provocação do dia: Mulher com iniciativa brocha homem mentiroso. Texto de Francesinha

Texto de Francesinha publicado originalmente no site Papo de Homem (http://papodehomem.com.br/mulher-com-iniciativa-brocha-homem-mentiroso/)

Eles reclamam que estão cansados de ter que quase sempre tomar a iniciativa no jogo da sedução. Mesmo depois da revolução feminina, muitas rebeladas permanecem passivamente à espera do macho caçador. Nas mesas de bar, os homens sonham com uma mulher que queira apenas sexo e que não seja mais uma donzela em busca do príncipe encantado. Também divagam sobre uma espécie rara que dispensa a conversinha fiada, os jantares, as saidinhas preliminares e afins, e vai direto ao ponto, ou seja, que está a fim de uma boa trepada sem delongas, compromisso e os manjados e subterfúgios românticos falsos para chegar até a esse ponto.

"A gente quer. Agora"

“A gente quer. Agora”

 

Mas quando essa mulher, finalmente, toma as rédeas da conquista, o discurso muitas vezes cai por terra. E, infelizmente, o pau também.

Antes de os machos matadores se pronunciarem, quero deixar bem claro que cada caso é um caso e não pretendo generalizar o comportamento masculino. Tudo que descarrego nessas linhas faz parte de uma visão bem parcial, sem pretensão alguma de ser neutra ou justa, e de um histórico particular de tocos e brochadas. Não gosto de classificações, porém, se for para me colocar em alguma, acredito que estou entre as mulheres que preferem tomar uma atitude a ficar passivamente na espera. Também sou dessas mulheres que fazem sexo por sexo e que não têm medo de expor seus desejos. O problema é que os homens ficam acuados quando a mulher toma a iniciativa.

Levantei algumas hipóteses para o fenômeno:

  • O velho pensamento “é bom demais para ser verdade” faz com que alguns se afastem logo de cara porque acham que a mulher deve ter algo de errado ou bizarro;
  • Muitos pensam que se a mulher tem toda essa coragem para mostrar o que quer deve ser um “furacão” na cama e aí surge o medo da brochada, que ironicamente acaba sendo o ingrediente principal para uma boa brochada;
  • Alguns homens não se libertaram do “complexo de Pavão” e não conseguem se excitar se não se sentirem os sedutores, conquistadores, o que coloca a fêmea imponente em uma posição excessiva de igualdade, fazendo baixar suas penas.

Obviamente estou considerando essas hipóteses apenas em um contexto em que existe um interesse inicial. Traduzindo: o cara está a fim de comer e a mulher está a fim de dar. Desconsiderem as situações em que não há atração, liga, cola, vontade. Mesmo com um objetivo comum, às vezes a coisa não se desenrola bem quando a parte feminina da brincadeira chama para o jogo. Isso já aconteceu comigo pelo menos umas cinco vezes. Não, não sou uma baranga peluda. Também não tenho mau hálito. Confesso que não sou uma deusa do Olimpo, mas digamos que estou dentro do parâmetro “pegável” e tenho o mínimo de autoestima.

Consideradas essas ressalvas, voltemos à análise das hipóteses. No primeiro caso, acredito que os homens estejam muito acomodados em relação ao padrão cultural predominante, em que as mulheres ainda ocupam o papel de “perseguidas”. Quando esse comportamento se inverte, eles ficam perdidos e receosos. Como se no cérebro deles acendesse um alerta de perigo, como se alguém que foge ao padrão não pudesse representar algo positivo.

E aí, pra gente, o que é que sobra?

E aí, pra gente, o que é que sobra?

 

Também percebo que eles não sabem lidar com o desejo explícito de uma mulher. O homem garanhão é viril, atraente, mas a mulher que age do mesmo modo é “oferecida”, “atrevida”, que são características vistas como negativas. Em conversas com amigos sobre o tema, um deles disse uma frase que resume bem o paradoxo da mulher com iniciativa x mulher desejável:

Acho legal a mulher ter iniciativa, mas ela não pode se oferecer.

(Léo)

Como muitos homens, Léo pensa que a melhor maneira de a mulher ter atitude é por meio do charme, demonstrando de forma indireta que ela está a fim. Isso significa que se queremos garantir a foda o jeito é encarar os velhos joguinhos e a surrada identidade de frágil dama seduzida. A iniciativa na verdade nada mais é do que apenas um sinal de “estou disponível, pode vir se quiser”. Todo esse teatrinho previsível é extremamente entediante para mim. Gosto da adrenalina de desafiar a zona de conforto masculina revelando com todas as palavras (ditas ou escritas) o quanto um homem me perturba e o quanto desejo sentir seu cheiro e sua pele em contato com o meu corpo. Quero poder ter o mesmo direito à iniciativa de revelar os meus anseios. Mas na maioria das vezes em que fiz isso o que veio depois foi bastante decepcionante.

Um amigo com quem tentei transar algumas vezes brochava cada vez que eu alcançava seu pescoço. Ele dizia que se sentia invadido por esse meu gesto, que eu precisava controlar meus impulsos e esperar que ele se manifestasse primeiro para aí então retribuir às suas carícias. Uma noite resolvi fazer o esforço para tentar ganhar a recompensa. Mas depois de três horas de TV e blá-blá-blás, abraçadinhos no sofá, não aguentei, pulei de novo no pescoço do rapaz, que brochou na minha sala pela última vez.

Claro que nem preciso explicitar aqui que a sedução tem suas nuances e sutilezas. A linha da vulgaridade é muito fácil de ser ultrapassada e quando isso acontece é natural que tanto homens quanto mulheres fiquem acuados e sem tesão. Mas não é dessa situação que esse texto trata. E sim daquelas em que a tensão sexual está nas alturas, porém pode despencar se a mulher der o primeiro, segundo ou sei lá qual passo que deixe o homem se sentir ameaçado. E chegamos então à segunda hipótese.

"Será que você aguenta comigo? Será mesmo?"

“Será que você aguenta comigo? Será mesmo?”

 

Por razões quiçá genéticas ou ancestrais, os homens costumam se impor uma pressão de desempenho na cama. Eles se sentem na obrigação de apresentar uma boa performance. E quando uma mulher é corajosa o suficiente para deixar clara a sua vontade aciona o mecanismo masculino de “porra, tô ferrado”. O cara já fantasia que se a mulher lida tão bem com sexo a ponto de expor seu desejo vai detoná-lo na cama e que ele vai ter que ser muito bom para satisfazê-la. Como vocês já devem saber, expectativa alta é incompatível com pau duro. O pior é que isso tudo não passa de uma grande bobagem. A maioria das mulheres não espera nada além de poder se entregar livremente aos seus instintos profanos, desejando receber em troca apenas a mesma intensidade de tesão.

Também já saquei que muita familiaridade piora esse problema. Outro amigo de quem gosto muito (não me pergunte por que continuo a a insistir nos amigos) teve dificuldade de manter a ereção comigo, apesar da vontade louca que a gente estava de se comer. O problema é que ele conhecia meu apetite por sexo e algumas histórias pregressas. O excesso de informação funcionou como antídoto para a relação.

Preliminares

Apesar de alardearem que adorariam pular algumas etapas, como jantarezinhos e outras firulas, para ir direto ao que interessa, quando isso se torna realidade muitos machos alfa, beta e gama perdem o chão e outras cositas pelo caminho. “Quero você aqui e agora” assusta alguns moçoilos. Eles também precisam de preliminares para ganhar confiança. Um chamado assim tão direto eleva demais o nível de pressão e pode acarretar consequências indesejadas. Um colega de trabalho disse o seguinte sobre ser requisitado na “chincha” para um rala-e-rola:

Não sei se conseguiria fazer sexo com hora e local determinados, gosto que a coisa aconteça de forma mais natural, talvez depois de um barzinho com amigos.”

(Edu)

Será que sou muito pervertida por querer pular o barzinho? Por querer apenas sexo com um homem sem precisar seguir as velhas convenções sociais? Por não fingir que o sexo “aconteceu”? De qualquer forma, minha perversão não consegue ir muito longe. Pelo menos não com os homens brasileiros com quem já tentei pular essas etapas. Os resultados são quase sempre parecidos: fuga ou brochada.

"É de mim que elas estão falando, é? Também, ela veio toda apressada me atacando! Assim não funciona mesmo"

“É de mim que elas estão falando, é? Também, ela veio toda apressada me atacando! Assim não funciona mesmo”

Já com alguns estrangeiros que conheci no Brasil e em andanças pela Europa, felizmente, a lógica não é a mesma. Pelo menos entre os que passaram pelos meus lençóis. Eles não se intimidaram com minhas iniciativas, ao contrário, ficaram ainda mais excitados em ver o efeito que provocavam em mim. Também não se incomodaram nem um pouco em suprimir etapas. Meu chute para essa diferença de comportamento está relacionado à terceira hipótese.

Por não serem tão machistas quanto os brasileiros, esses europeus que conheci intimamente são menos suscetíveis ao “complexo de Pavão”. Eles não precisam estar sempre no papel de sedutores para ficarem excitados. A igualdade com as mulheres, inclusive no sexo, não representa uma ameaça. Eles não têm essa necessidade tão latente de serem os responsáveis pela conquista e sabem desfrutar tranquilamente o momento quando estão do outro lado.

Ser uma mulher com iniciativa, pelo menos para mim, não tem facilitado muito as coisas. É simples perceber que existe uma distância entre o que os homens dizem e o que eles realmente querem. Os homens são mais complicados e sensíveis do que aparentam ser. Ainda existe um enorme tabu e preconceito em relação à mulher que manifesta claramente seu desejo por sexo.

Querer apenas uma boa trepada ainda não faz parte dos direitos conquistados. A iniciativa da mulher é bem-vinda pelos homens apenas se estiver dentro das expectativas deles, das formas como eles a idealizaram. Não existe liberdade genuína. Para que o sexo aconteça, o caminho mais seguro e provável passa pelos velhos clichês da mulher conquistada e do homem caçador. Se quero evitar a fuga ou a brochada, o mais fácil é me fingir de caça. Qualquer gozo é melhor do que nada. Mas continuo sonhando com homens que não se intimidam com o desejo de uma mulher, que se excitam ainda mais em ver, ler e ouvir o tesão que provocam, que sabem conquistar e ser conquistados.

Sobre a Autora: Francesinha é uma mulher que gosta de falar e escrever sobre sexo. Também adora contar suas experiências e aventuras. Depois que descobriu a masturbação, aos 19 anos, nunca mais parou. Para estimular a libido feminina, criou o blog Para Pensar em Sexo, que traz artigos, imagens e contos eróticos para ajudar a mulherada a aumentar a quantidade de pensamentos-em-sexo-por-minuto.

 

O Sábio Vive Cada Dia no Amor Como Se Fosse o Último. Por Fabio Hernandez

Artigo de Fabio Hernandez publicado originalmente no site El Hombre (http://www.elhombre.com.br/o-sabio-vive-cada-dia-no-amor-como-se-fosse-o-ultimo/)

Dê beijos não automáticos nem monocórdios, mas intensos e definitivos

Dê beijos não automáticos nem monocórdios, mas intensos e definitivos

 

O sábio vive cada dia no amor como se fosse o último. E aproveita um eterno verão sentimental até que surja o inevitável inverno do nunca mais.

Minha primeira revista foi a Vip, da qual lembro com o afeto e a gratidão dedicados a coisas e pessoas que fizeram diferença na nossa vida, e para melhor. Fui colunista lá, sob o título de Homem Sincero. Uma vez participei de uma reportagem especial cujo tema eram os fracassos masculinos. Um amigo meu falou na primeira demissão. Ele recomendava às pessoas que se comportassem, no trabalho, com a lógica do samurai: cada dia pode ser o último. Sem paranóia, sem desespero, sem pânico. Apenas com realismo e serenidade.

Quem está preparado para as dificuldades sofre menos com elas. Sêneca falava no perpétuo vai-e-vém de elevações e quedas, e eis uma frase que levo na alma. A gente pensa que os problemas só acontecem com os outros: morte, perda amorosa. E quando eles acontecem conosco, sem que os esperássemos, nossa aflição é enorme. Muitas vezes, maior que o próprio problema.

Ao reler sei lá por que o texto de meu amigo decidi me atrever aqui ao crime de plágio. Meu amigo haverá de me perdoar, quando menos por conta dos velhos tempos em que éramos camaradas de compartilhar sonhos, desilusões e tudo mais o que grandes amigos dividem. Vimos juntos A Mulher do Lado, Era uma vez na América e Corrida contra o Destino. Lemos ao mesmo tempo O Poder e a Glória, Fim de Caso e os Ensaios. Pego a lógica do samurai da qual ele falou profissionalmente e a transporto para o mundo amoroso.

Acho que os que amam deveriam viver cada dia como se fosse o último. Até porque, como tudo, um dia isso vai acontecer. Ou porque um dos dois vai se cansar do outro, ou por morte, ou pelo que for. Nada é para sempre. Já ouviu All Things Must Pass, do George Harrison? Estou ouvindo agora. Sunrise doesn’t last all morning. O sol não se ergue toda a manhã.

Li um livro com um nome estranho. É de uma escritora escocesa, Muriel Spark. Memento mori, em latim, significa: lembre-se de que vai morrer. Um velhinho, ou uma velhinha, diz no romance que essa reflexão deveria ser feita diariamente pelos jovens. Quanto mais se medita sobre a morte, menos aterrorizadora ela nos parece. O santo tibetano Milarepa morava em cavernas no Tibete sempre próximas de cemitérios. Epicteto recomendava nunca se afastar da idéia da morte justamente para abrandar seu impacto e vivermos uma vida plena.

Morremos mil vezes do medo de morrer, disse Sêneca.

Memento mori. Lembrarmo-nos de que vamos morrer é um antídoto contra esse terror de cada minuto.

Sei perfeitamente que o que estou escrevendo soará bizarro no mundo de fantasia em que vivemos, em que a idéia da morte é ingenuamente negada, em cujos comerciais de TV somos todos jovens, bonitos e saudáveis sempre. E então volto ao campo das relações sentimentais.

Viver cada dia como se fosse o último vai fazer você dizer hoje as coisas bonitas que tem para dizer a ela. Vai fazê-lo dar um beijo não automático nem monocórdio, mas intenso e definitivo. Vai fazer você comprar flores que há tanto tempo saíram do seu decrescente repertório de gentilezas.

Viver cada dia como se fosse o último vai fazer você dar o devido valor às pequenas coisas boas que os dois conquistaram juntos e também o devido valor às pequenas coisas ruins para as quais os dois atribuíram um tamanho desmedido.

Talvez faça você viver um eterno verão sentimental até que, e isso é inevitável, gostemos ou não, surja diante do casal o inverno cruel do nunca mais.

Literatura Erótica para Mulheres. Por Francesinha

Artigo de Francesinha, publicado originalmente no site Papo de Homem (http://papodehomem.com.br/literatura-erotica-para-sua-mulher-gozar-sem-voce/)

Toda mulher gosta de uma historinha. O recente fenômeno editorial da trilogia dos Cinquenta tonsmostrou o quanto as moças andavam ávidas por palavras que as fizessem tremer, sonhar, imaginar, fantasiar e, quiçá, gozar em segredo. Mas os livros de soft porn da dona de casa britânica estão mais para contos de fadas do que para literatura erótica de gente grande.

Existem obras muito mais interessantes e excitantes, capazes de despertar a capacidade multiorgástica feminina apenas com parágrafos.

A literatura erótica não precisa ser exclusivamente feminina para agradar às mulheres. Muitos autores homens também conseguem provocar o desejo com suas narrativas, geralmente, mais explícitas e diretas. A linguagem erótica sem eufemismos às vezes assusta as menos habituadas a esse tipo de leitura, porém depois de alguns capítulos deixa de incomodar e passa a desencadear reações bem diferentes. O novo vocabulário pode até ajudar no repertório de sacanagens para usar durante o sexo, que nem sempre sai com facilidade da boca das mulheres.

Ler pornografia, de preferência de boa qualidade, ajuda a estimular a libido e as fantasias. O efeito da literatura erótica nas mulheres pode ser comparado ao da pornografia da internet nos homens, pelo menos enquanto não houver oferta suficiente de putaria visual ao gosto feminino. Para namorados, maridos, amantes, ficantes e afins, incentivar esse tipo de literatura não é um tiro no pé. A mulher até pode querer gozar sozinha, livre para se encaixar na história como bem entender, mas certamente vai sobrar bastante apetite para completar muito mais páginas.

Selecionei alguns livros, de diversas épocas e estilos, de literatura erótica para valer, sem muitos disfarces. Escolhi obras bem diferentes, para ter mais chance de agradar aos mais variados paladares femininos. Os livros estão em ordem aleatória de tesão, com trechos destacados que dão uma ideia do que esperar da leitura.

 

A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet

Marion Cotillard/Interview Magazine

Marion Cotillard/Interview Magazine

É um livro de memórias da autora, uma crítica de arte francesa bastante conhecida no meio, que resolveu escancarar sua vida sexual sem pudores, de forma crua e libertária. Catherine Millet se entrega ao sexo sem restrições, com homens, mulheres, feios, sujos; a dois, a três, a quatro, a muitos, deixando-se levar sem resistência. A francesa não economiza detalhes na descrição de suas experiências transgressoras.

Trecho:

“Eu era manipulada por partes; uma mão estimulava a parte mais acessível de meu púbis com movimentos circulares, outra roçava meu dorso ou esfregava meus mamilos…Mais até do que as penetrações, as carícias me proporcionavam muito prazer, principalmente as picas que passeavam na superfície do meu rosto ou as glandes esfregadas nos meus seios. Eu adorava segurar de passagem uma com a boca, fazê-la ir e vir entre meus lábios enquanto outra reclamava minha boca do outro lado, roçando em meu pescoço esticado para, logo depois, virar a cabeça e pegar a recém-chegada.”

 

Mulheres, de Charles Bukowski

Juliette Lewis/Terry Richardson’s Diary

Juliette Lewis/Terry Richardson’s Diary

Terceiro romance do velho safado, como também é conhecido, foi publicado em 1978. Bukowski nasceu na Alemanha, mas morou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos. O livro narra as estripulias do alter ego do autor, Henry Chinaski, com mulheres insanas e reais. Escritor, alcoólatra e quebrado, o personagem seduz de jovens a balzacas, com as quais geralmente faz sexo quando não bebe demais e dorme. Apesar de tarado, Chinaski também é romântico e não resiste a um beijo.

Trecho:

Mercedes virou seu rosto para mim. Beijei-a. Beijar é mais íntimo que trepar. Por isso eu odiava saber que as minhas mulheres andavam beijando outros homens. Preferia que só trepassem com eles. Continuei beijando Mercedes. E já que beijar era tão importante para mim, tesei de novo. Montei nela, sôfrego, aos beijos, como se vivesse minha última hora na terra. Meu pau deslizou dentro dela. Agora eu sabia que ia dar certo. O milagre seria refeito. Ia gozar na buceta daquela cadela. Ia inundá-la com meu sumo e nada que ela fizesse poderia me deter. Era minha. Eu era um exército conquistador, um estuprador, o senhor dela. Eu era a morte.”

 

O amante, de Marguerite Duras

 

Jane March/L’ amant (1992)

Jane March/L’ amant (1992)

É uma obra de arte sensual e poética. Funciona melhor se lida em voz alta. A autora usa frases curtas, quase telegráficas, porém sempre carregadas de significado. “Muito cedo na minha vida ficou tarde demais” aparece na primeira página. O romance, que seria a narração de um episódio autobiográfico, centra-se na história de amor, desejo e melancolia entre uma jovem de 15 anos e um chinês rico de Saigon, na Indochina, onde a autora viveu. Ganhou o Prêmio Goncourt de 1984 e também virou filme.

Trecho:

“Ela lhe diz: preferiria que você não me amasse. Ou, mesmo me amando, que se comportasse como se comporta com as outras mulheres. Olha para ela espantado e pergunta: é o que você quer? Responde que sim. Ele começou a sofrer lá, naquele quarto, pela primeira vez, não nega isso. Diz que sabe que ela jamais o amará. Ela o deixa falar. (…) Ele lhe arranca o vestido, joga-o longe, arranca a calcinha branca de algodão e a leva nua para a cama. Então, vira-se para o outro lado e chora.”

 

A casa dos budas ditosos (Luxúria), de João Ubaldo Ribeiro

 

Emanuelle Araujo/Gabriela

Emanuelle Araujo/Gabriela

João Ubaldo escolheu usar uma protagonista mulher, uma senhora de 68 anos, para contar suas memórias libertinas nesse romance feito por encomenda para a coleção Plenos Pecados. De tão obscena, a velhinha quase parece um homem, mas é incrivelmente divertida e excitante do mesmo jeito. Para ela, tudo é natural no sexo e as taras mais escabrosas, incluindo o incesto, são descritas em um só fôlego, sem máscaras nem preliminares.

Trecho:

“Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca, embora ninguém antes me tivesse dito como realmente era isso, só que ele não gozou na minha boca, acabou esguichando meu rosto e eu esfreguei tudo em nós dois.”

 

Pequenos pássaros, Anais Nïn

 

Carla Bruni/Vanity Fair

Carla Bruni/Vanity Fair

 

Anais Nïn foi uma vanguardista do feminismo e da revolução sexual. Os contos eróticos escritos na década de 40 foram publicados nesse livro somente na década de 1970, depois da morte da autora, nascida na França. Anais foi amante do escritor Henry Miller e retratou detalhes da sua vida dupla em diários, editados somente após a morte de seu marido. Seus textos retratam bastante o perfil da mulher na época, cheia de desejos e repressões.

Trecho:

“Depois, me tocava devagar, como se não quisesse me despertar, até que eu ficava molhada. Ai, seus dedos passavam a se mover mais depressa. Ficávamos com as bocas coladas, as línguas se acariciando. Aprendi a pôr o pênis dele em minha boca, o que o excitava terrivelmente. Ele perdia toda a delicadeza, empurrava o pênis e eu ficava com medo de me engasgar. Uma vez eu o mordi, o machuquei, mas ele não se incomodou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, nossos rostos ficaram cobertos com ela. O cheiro maravilhoso de sexo impregnou meus dedos. Eu não quis lavar as mãos.” (O modelo)

 

Pornopopeia, de Reinaldo Moraes

Marjorie Estiano/Revista Trip

Marjorie Estiano/Revista Trip

É um livro mais para rir do que gozar, mas bom humor sempre ajuda no sexo. Zeca, um cineasta marginal, é obcecado por drogas, bebidas e bucetas. Sem dinheiro, o protagonista se mete em um rolo atrás do outro. A linguagem é original e repleta de neologismos engraçados. O enredo que mistura caos, bebedeira, drogas e mulheres não por acaso lembra Bukowski. Reinaldo Moraes traduziu Mulheres. Apesar de safado, Zeca sabe como tratar as mulheres na cama e não nega uma cunilíngua nem nos dias sangrentos.

Trecho:

“Enquanto devorava a buceta da Sossô, eu ia me proporcionando uma punhetinha maneira para manter o nível paudurístico. A certa altura, dando uns tiros de olho ao redor, flagrei-me num dos espelhos mágicos com a cara lambuzada de rouge-xoxotte. Boca, nariz, queixo, parte das bochechas, tudo vermelho, feito lobisomem de filme B depois de jantar um figurante distraído. E a Sossô, só ali, lustrando o cabeçote do balarino. De vez em quando, liberava a mão direita e dava umas apalpadas nas volumosas almôndegas dentro do saco preto do cara, coisa que pude constatar por debaixo da xoxotinha dela, ao recuar minha cara pra tomar fôlego e decidir se metia duma vez por todas o bruto na racha ou se continuava chupando mais um pouco.”

 

Hell, de Lolita Pille

 

Mélanie Laurent/BlackandWhite

Mélanie Laurent/BlackandWhite

Relato revoltadinho de uma patricinha de Paris, que vive rodeada de amigos fúteis, em uma vida que gira em torno de roupas de grife, bares, bebidas, sexo, álcool e drogas. Sem muita autocomiseração, Hell, pseudônimo da autora na história, define-se como uma putinha insuportável e consumista. Ao mesmo tempo que retrata o seu cotidiano e cita uma penca de marcas famosas, a personagem não deixa de ser a própria crítica à essa sociedade rica e vazia de afeto.

Trecho:

“O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a dependência lamentável, a zombaria do engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua aljava. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do belo, do bem, do verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha.”

 

A filosofia na alcova, de Marquês de Sade

Publicado em 1795, esse romance na forma de diálogos faz a maioria dos livros eróticos de hoje parecer literatura infantil. Em meio a orgias com intuito de educar sexualmente uma jovem, o autor critica os costumes burgueses e a religião. Logo no início faz um apelo aos libertinos e pede para que as “mulheres lúbricas” desprezem tudo que contrarie as leis do prazer. A linguagem erudita e arcaica não diminui o erotismo e a narrativa transgressora de Sade, com direito a ménages e sodomias homos e héteros.

Trecho:

“Dolmancé – Na posição em que me encontro, senhora, meu pau está bem perto de vossas mãos. Peço-vos a gentileza de agitá-lo, enquanto chupo este cu divino. Introduzi a língua mais fundo, senhora, não vos limiteis a sugar o clitóris…Fazei penetrar essa voluptuosa língua até a matriz: não há melhor meio de apressar a ejaculação da porra.

Eugénie, contraindo-se – Ah, não posso mais…Vou morrer! Não me abandoneis, meus amigos, estou quase desmaiando!…(Esporra entre os dois preceptores).

Saint-Ange – E então, minha amiga, o que achou do prazer que te proporcionamos?”

 

História do olho, Georges Bataille

Emma Watson/JungleShoes

Emma Watson/JungleShoes

Publicado em 1928, o primeiro livro de Bataille é um clássico do erotismo. A novela acompanha as aventuras sexuais de dois adolescentes, em passagens tão surreais que se assemelham a experiências oníricas. A obra, como o autor tenta explicar no final, funde imagens e episódios da infância com suas obsessões, que decidiu escrever por sugestão de seu psicanalista. A fixação pelo olho, que surge em metáforas como ovo e testículos, tem diversos significados, relacionando-se inclusive com as lembranças do autor acerca do pai cego.

Sobre a Autora: Francesinha é uma mulher que gosta de falar e escrever sobre sexo. Também adora contar suas experiências e aventuras. Depois que descobriu a masturbação, aos 19 anos, nunca mais parou. Para estimular a libido feminina, criou o blog Para Pensar em Sexo, que traz artigos, imagens e contos eróticos para ajudar a mulherada a aumentar a quantidade de pensamentos-em-sexo-por-minuto.

Todas as relações são abertas. Por Alessandra Marcuzzi

Artigo de Alessandra Marcuzzi publicado originalmente no site Papo de Homem (http://papodehomem.com.br/todas-as-relacoes-sao-abertas/)

"Bond of Union" | M.C. Escher

“Bond of Union” | M.C. Escher

 

Há tempos ouço debates sobre qual será o modelo de relação mais comum no futuro. Entre defensores da monogamia e da poligamia, costumo brincar que fechada, aberta e de carne são esfihas; relação é outra coisa. Já que o que realmente nos une ou separa de uma pessoa não é um acordo pré-fixado, nem uma instituição, nem um papel, nem um título, na prática todas a relações são abertas.

A abertura, mesmo em uma relação monogâmica convencional, é uma qualidade inalienável, irrevogável. Não há tranca que segure os deslocamentos da vida.

O que nos mantém ligados uns aos outros é a conexão estabelecida, que independe, inclusive, de estar ou não fisicamente com a pessoa. Podemos estar disponíveis para outros estando com um parceiro, como podemos estar menos disponíveis a outros apenas pela ligação com alguém com quem sequer namoramos. Podemos estar disponíveis mas não chegarmos às vias de fato, como podemos chegar às vias de fato estando com outro parceiro sem que isso afete essa conexão afetiva. As variações são tantas que podemos dizer que vivemos em constante suruba e monogamia ao mesmo tempo, por liberdade original, e mudar o rumo e a forma de se relacionar a qualquer momento, mesmo que tenhamos feitos acordos, contratos, promessas.

Alain de Botton, no brilhante livro Religião para ateus, diz que os ateus perdem muito tempo querendo provar a não-existência de Deus e se esquecem do que fazer diante da não-existência de Deus. Então investem muita energia contra aqueles que praticam seus rituais religiosos perdendo a grande oportunidade de ter algumas experiências para além dos dogmas. Botton mostra como as religiões se apropriam de rituais pagãos. O Natal, por exemplo: o que realmente faz as pessoas aderirem não é o significado religioso em si, mas a experiência de distribuir presentes, compartilhar uma ceia, se reunir para celebrar. O verdadeiro sentido do Natal é a prática do seu significado, não o contrário. O mesmo acontece a qualquer tipo de relação.

O valor de um relacionamento é dado pelo que ela efetivamente é em experiência, sendo inútil achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Na hora H, tudo isso é absolutamente ineficiente, exatamente como pensar em fazer dieta e colocar um aviso na porta da geladeira pra lembrar, mas assaltar a geladeira um pouco a cada dia. Fazemos efetivamente dieta quando não precisamos mais lembrar que estamos em dieta, paramos de fumar quando já não lembramos bem porque fumávamos.

O rótulo só faz sentido quando a relação vivida o dispensa – interessante paradoxo.

O que ocorre a maior parte do tempo é uma burocratização dos relacionamentos, não apenas em formato mas principalmente em conduta. Precisamos de uma definição para nos certificarmos de que tudo vai dar certo, não podemos deixar margem para erro e reclamações posteriores. Montamos um projeto e tratamos o outro como um de seus objetos. Em vez desfrutar a relação, apenas mantemos uma relação e posicionamos o outro como uma meta de um projeto.

A realidade é bem mais caricata

A realidade é bem mais caricata

 

Fazemos esforços para evitar o que possa ser desagradável, nos preocupamos demais em acertar e muito pouco em vivenciar com nossos próprios olhos, tato, escuta, paladar e corpo, desperdiçando a parte mais saborosa das relações, que é explorá-las, desbravá-las. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações, fazendo com que fiquem apáticas, anêmicas, sem fluidez.

Não percebemos que o comprometimento vem antes da promessa, que o amor vem antes do pedido de casamento, que a conexão vem antes da razão. Na ânsia de controlar, colocamos o carro na frente dos bois e definimos formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitamos nos expor ao contato pra valer, sem garantias. Abertos.

Em minha própria experiência constato cada vez mais que os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento, quando a promessa já está acontecendo e não precisamos oficializá-la, quando o sexo é praticado e não investigado, quando a disposição existe mesmo diante de condições externas desfavoráveis.

“There’s nothing to decide. There’s just walking forward.”
Miranda July

Então a “fidelidade” pode ser estar na relação 100% com tudo que faz parte dela, independentemente de exclusividade, pois a conexão estabelecida tem um sentido mais amplo e profundo. A “infidelidade” é justamente o oposto: não é um caso extraconjugal ou não, é uma manobra do desejo, uma artificialidade, é oferecer seus pedaços, é mentir descaradamente, para você mesmo.

Os enganos que mascaramos são como fingir um orgasmo: nós mesmos recebemos de volta aquilo que nos insatisfaz enquanto tentamos fazer o outro acreditar que nos contenta.

Se olharmos as relações como parcerias, em que estamos compartilhando com o outro nosso caminho, espaço, ideias, sentimentos e momentos, não como burocracia, onde temos de cumprir um roteiro pré-estabelecido, podemos vivê-las com mais leveza. Precisamos entender que o outro anda pelo mesmo espaço de liberdade que temos sozinhos, e que juntos esses espaços deveriam se ampliar ainda mais e não se restringir para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda nossas pequenas expectativas de controle. Quanto mais relaxados estivermos diante das surpresas e aventuras do terreno de se relacionar com alguém, mais abertos estaremos ao que vier pela frente.

Da próxima vez em que tiver dúvidas sobre qual tipo de relação está vivendo, parta do seguinte ponto: todas.

 

 

O asco depois do coito. Por Jader Pires

Artigo de Jader Pires para o site Papo de Homem (http://papodehomem.com.br/18-o-asco-depois-do-coito/)

O sexo libera endorfina e serotonina no cérebro. Esses neurotransmissores reduzem o estresse e a depressão e, de quebra, ajudam a regular o sono. Só maravilha.

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E, em sua Trilogia suja de Havana, Pedro Juan Gutierrez já dizia:

Sexo não é para gente escrupulosa. Sexo é intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálito e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias.

Ou não é.

Se é só ternura e espiritualidade etérea, reduz-se a uma paródia estéril do que poderia ser. Nada.

Aparentemente, os caribenhos sabem das coisas. Uma foda bem dada é, certamente, precedida pela entrega. Não basta ficar de pau duro, não é só abrir as pernas. Há que ceder à entrega, precisa do intenso mergulho, da imersão na putaria, no tesão, na busca pelo calor, pelo fogo, pelo júbilo que te deixa bobo.

A gente vai, abraça a coisa toda, esquece o mundo e outras pessoas, quanto mais pensamentos alheios, julgamentos do inconsciente coletivo. Vamos para o tudo ou nada, chafurdamos, uma noite de luxúria, metamorfose e carnaval. É bagunça, selvageria, orgasmos, canseira, dominação, uma quase angústia que nos leva à redenção. É gostoso pra caralho.

O contato, amigo!

Felizes são os homens que querem tirar mulheres da vida dos prostíbulos, que encontram nelas, não uma oportunidade de jorrar, não a hora certa de mandá-la embora, mas sim o contato mais puro e acalentador. Palmas praqueles que se apaixonam por todas e quaisquer mulheres que lhes dão um mínimo de atenção. Vocês sim fazem a vida valer a pena, chafurdam as profundezas das relações humanas e exploram ao máximo essa delícia de ganhar um olhar, de tirar um sorriso, de fantasiar toda uma aproximação das peles, de ansiar a quentura da respiração no cangote, a textura da língua dentro da boca.

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Sem esse contato, seríamos apenas Adãos e Evas correndo nus e sem o conhecimento da vergonha, mas também com o desconhecimento de ter um ao outro, de perceber que só valeria a pena todo o rolê de um pudesse se colar no outro, mesmo que com duas folhas de parreira entre eles e sem a proteção que vinha lá de cima. Ora bolas, de que vale uma vida de cuidados renascentistas se o melhor de despir uma mulher na idade média era justamente saber que, depois de muitos minutos desenlaçando aqueles vestidos bufantes era encontrar, enfim, o contato dos corpos, o descobrimento (em todos os sentidos que puder imaginar) da pele?

*A gente não quer só gozar, a gente quer inteiro (e não pela metade)

Era pra ser o suprassumo animal, o recorte sempre perfeito de uma vida cheia de maldizeres. Mas não é assim não.

Depois que a poeira abaixa, logo em seguida da brasa esfriar, nem sempre a coisa anda. Não é dessa maneira que a gente queria, mas se a vida assopra, é porque ela logo vai bater de novo. De quando em quando, a gente se pega na situação inerente do asco pós-coito, aquela mazela que surge depois que o sangue começa a fluir novamente por todo o corpo e não só nas genitálias, uma coisa ruim de se perceber em algum lugar que não se queria estar com uma pessoa que não era exatamente quem você passaria uma madrugada toda batendo um papo.

Nem estou dizendo que a escolha foi erro nosso, que, já que optamos — em alguns momentos — o sexo pelo sexo, nada mais justo que ter que aturar o que vem depois. Não posso dizer, claro, por todo mundo, mas creio que foram pouquíssimas as vezes em que eu fui para o tão desejado sexo com alguma garota que eu não tinha um mínimo de sentimentalidades de carinho, curiosidade e amizade.

Só que o sexo abre muitas portas, mostra muitas caras, evidencia muito de você e da outra pessoa.Somos perversos até os ossos, não se esqueçam disso.

Daí, quando ainda nem percebemos, o toque da pele se transforma em algo incômodo, a voz adentra aos ouvidos de forma mais áspera, as luzes do quarto ficam menos convidativas, a cama parece ter criado pregos. Eis o asco.

A anorexia e a moda: um universo paralelo e desumano. Por Roberto Amado

Artigo de Roberto Amado publicado originalmente no site Poucas Palavras (http://robertoamado.com.br/a-anorexia-e-a-moda-um-universo-paralelo-e-desumano/)

Leah Kelley é considerada plus size

Leah Kelley é considerada plus size

 

O mundo da moda parece acontecer numa espécie de universo paralelo que pouca coisa tem em comum com a realidade. Como é que uma modelo como Leah Kelley pode ser rotulada como “plus size”? Para quem não conhece, é uma mulher linda, com um corpo magnífico e que de forma alguma pode parecer “grande” ou “gordinha” ou até mesmo “cheiinha”.

Mas no universo paralelo da moda, o corpo da mulher tem que ser cada vez mais próximo ao do biotipo de uma criança de Biafra. Culpa de quem afinal? Culpa da mídia, que divulga e determina um padrão de beleza? Culpa das moças que buscam uma aprovação estética da sociedade? Pode ser.

Mas não me sai da cabeça a atividade dos produtores de moda. Um estilista faz um vestido e quer, é claro ter sucesso. Para isso, precisa ser apresentado por uma garota bonita mas que não ameace o desenho “genial” do criador. No fundo, ele precisa apenas de um cabide ambulante e fotogênico.

Daí cria um padrão estético de mulheres sem formas, sem saliências, esquálidas. O “resto” é consequência. Esse mundo paralelo da moda invade o mundo real definindo, mais do que isso, determinando, como deve ser o corpo feminino.

A primeira top model mundial foi a Twiggy, lá pelos anos 60. Uma garota franzina, magérrrima, de olhor arregalados de surpresa e fome. Foi “coisificada” pelos estilistas e projetou-se mundialmente, criando o padrão que perdura até hoje. Uma beleza estranha, que não faz parte da nossa realidade, que não é admirada ou idealizada pelos homens, e que, por motivos igualmente estranhos, determina um comportamento feminino lamentável.

Se  fosse só um padrão estético cruel, até que dava para suportar. Insuportável é observar a escalada da anorexia que acomete as mulheres jovens do mundo todo, fruto dessa ditadura sem menor sentido. Em 2010 ocorreu a morte de Isabelle Caro, modelo francesa com um trágico histórico de anorexia. Isabelle participou de uma campanha contra esse padrão anoréxico exibindo suas formas ósseas e revelando todo o seu sofrimento para se tornar uma modelo exemplar. Morreu jovem, em 2010, vítima de pneumonia e sua mãe, cheia de culpa por ter incentivado, desde os 13 anos, a manutenção a todo custo de seu biotipo sem formas, acabou se suicidando em seguida.

Mas isso parece não ter bastado como alerta. O moda persiste em seu universo paralelo impondo padrões de beleza que continua fazendo vítimas jovens adolescentes que deveriam estar curtindo a vida. No Brasil, mais de 20% das mulheres entre 15 e 24 anos possuem sintomas de anorexia. É um número deprimente. São adolescentes e jovens mulheres que não chegaram a adquirir uma noção da realidade em função de uma imposição social, e às vezes familiar, demoníaca.

Ainda sim persiste essa tenaz busca pelo padrão anoréxico que a moda impõe produzindo aberrações desumanas que ultrapassam os limites da ética e do bom senso. Recentemente Janice Celeste, mãe da top model Sessilee Lopez, publicou o livro Making a Supermodel – A Parent’s Guide” (“Criando uma Supermodelo – Um Guia aos Pais”) como se estivesse fazendo a generosidade de dar bons conselhos de carreira. Em um dos momentos exemplares do livro, Janice cita o caso de uma modelo que engolia bolas de algodão embebidas em suco de laranja para dar a sensação de satisfação — e que, claro, acabou por ficar anoréxica.

Décadas se passam e nada muda: o mundo fashion é um caso raro em que a indústria não só adapta o seu produto ao mercado mas faz com que o público que não se enquadra no seu padrão sinta-se culpado. Meninas que deveriam estar desabrochando em suas formas mais exuberantes saem atrás de dietas milagrosas, cosméticos mágicos e cirurgias medievais. E, claro, deixam de comer, aumentando ainda mais o risco da anorexia.

Para que tudo isso? Para satisfazer as ambições desse universo de estrelas da moda, cheias de vaidade por suas criações superficiais? Para criar ícones com aparência de gosto discutível e padrões estéticos capazes de enquadrar uma mulher como Leah Kelley como “plus size”.

A mulher, em toda a sua plenitude, beleza e personalidade, só terá mesmo sua expressão máxima de liberdade e identidade quando abandonar de vez esse padrão ditatorial da moda.

Twiggy foi a primeira top model mundial e inaugurou a moda da anorexia

Twiggy foi a primeira top model mundial e inaugurou a moda da anorexia